Nova campanha de escavações nos níveis clássicos de Dundo, apoiada por técnicas de datação por luminescência (OSL) e radiocarbono (C14), tem como objectivo refinar a cronologia da cultura Lupembense — uma das mais antigas indústrias líticas documentadas em África Central.
A cultura Lupembense, identificada pela primeira vez nas escavações do Museu do Dundo na década de 1940, representa uma das transições tecnológicas mais importantes da pré-história africana. As suas características — núcleos preparados, lâminas alongadas e bifaces refinados — documentam a emergência de comportamentos cognitivamente modernos em populações humanas do Pleistoceno Superior.
Esta campanha, conduzida em parceria com o CNRS e o Max Planck Institute, aplica técnicas de datação por luminescência opticamente estimulada (OSL) e radiocarbono por espectrometria de massa por aceleração (AMS) para refinar a cronologia dos níveis clássicos. Os primeiros resultados indicam ocupações significativamente mais antigas do que as datações tradicionais sugeriam — eventualmente ultrapassando os 300.000 anos em algumas sequências.
O projecto integra ainda análise tecno-tipológica de alta resolução, reconstituição paleoambiental através de palinologia e isótopos estáveis, e micromorfologia de sedimentos para compreender os processos de formação do sítio.
- 01Refinar a cronologia absoluta dos níveis Lupembenses clássicos
- 02Documentar a transição Paleolítico Médio — Superior em África Central
- 03Estabelecer correlações estratigráficas com as sequências do Congo e Zambeze
- 04Publicar um novo quadro de referência para a Idade da Pedra angolana
- ◆Escavação estratigráfica de alta resolução (unidades naturais)
- ◆Datação OSL de quartzo e feldspato
- ◆Datação C14 AMS em matéria orgânica seleccionada
- ◆Análise tecno-tipológica de lâminas e núcleos
- ◆Micromorfologia e sedimentologia
- ✓12 datações OSL inéditas obtidas na campanha de 2024
- ✓3.400 artefactos líticos documentados e catalogados
- ✓Identificação de um novo nível sob a sequência clássica



